Feirantes de Agualva fazem ultimato à Câmara

10/28/2009

Depois de quatro anos num local provisório, os comerciantes de Agualva exigem a mudança para o centro da cidade. A junta de freguesia e o vereador do pelouro concordam mas a Câmara ainda não autorizou.

Os feirantes do mercado de levante de Agualva ameaçam entupir Sintra, caso a Câmara não decida dentro de dias a mudança do local da feira semanal. “Estamos há mais de quatro anos num local sem condições e se não resolverem o problema já, levamos os nossos carros numa marcha lenta para mostrar a dimensão do nosso desagrado”, explica António Tomás.

A feira de Agualva é uma das mais antigas da região saloia, mas desde 2005 realiza-se “provisoriamente” na Quinta do Ulmeiro, um terreno descampado junto ao IC19, já na freguesia do Cacém. “Disseram-nos que era um local provisório e que passados oito meses poderíamos regressar ao Largo da República”, lamenta o feirante.

O regresso nunca foi possível porque a Câmara decidiu transformar o largo numa praça pública, inviabilizando a realização da feira. Ao longo dos anos foram estudadas outras opções e até escolhido um local junto à igreja de Agualva. Mas os feirantes recusaram porque a proximidade da igreja limitaria a feira aos sábados.

Há dois meses, a junta de freguesia chegou a acordo com a associação de feirantes para utilização de um parque de estacionamento integrado no Programa Polis, na baixa de Agualva-Cacém (ver caixa). A mudança ainda não se concretizou porque depende de uma autorização da Câmara de Sintra que tarda em chegar.

Segundo o presidente da junta, “a feira só não mudou porque o presidente da Câmara não quer”. “No início de Março havia acordo para a mudança até ao final de Abril, mas devido à má vontade receio que o prazo não seja cumprido”, lamenta Rui Castelhano.

Para a Associação de Feirantes do Distrito de Lisboa, este atraso “é lamentável”, sobretudo porque “não está em causa uma feira mensal, mas uma feira que se realiza todos os fins-de-semana e representa o pão de muitas famílias”.

Dos quase 140 feirantes registados, resistem apenas algumas dezenas. “Isto estava repleto, mas muitos desistiram de vir, porque há dias em que só fazemos 10 ou 20 euros”, lamentava ontem de manhã José do Carmo, enquanto tentava abrigar-se do vento e do pó. “Isto já nem parece uma feira, é mais uma ilha deserta”, reforçava noutra banca Fátima Jorge.

Numa reunião pública realizada na terça-feira, os feirantes concertaram posições com a junta de freguesia e exigiram à Câmara que o assunto “seja despachado em dias”.

Presente na reunião, o vereador Lacerda Tavares assumiu que “é evidente que a Câmara está em falta e que quatro anos é tempo demais”. O vereador responsável, desde Outubro, pelas feiras e mercados disse concordar com a mudança e espera convencer a Câmara. “Acredito que vou convencer o meu presidente a resolver as coisas da melhor maneira. Vou-lhe levar nota de que há um problema social que precisa de resposta e que este espaço, na minha óptica, é o melhor. Cabe-me convencer os outros”, disse, conquistando o aplauso dos feirantes.

A associação saúda “a boa vontade do vereador”, mas reforça a urgência da decisão. “Se até dia 28 não nos chegar uma resposta plausível, convocaremos os feirantes todos para a reunião pública de Câmara dia 29. Não é um ultimato mas é a necessidade que as coisas se resolvam o mais rapidamente possível”, explicou Francisco Saramago.

O presidente da Junta também não está disposto a esperar muito tempo. “Quero acreditar na boa fé da Câmara, mas caso se cumpra a autorização de mudança, teremos de tomar uma posição de força”, disse. O autarca alerta, no entanto, que “não chega receber um telefonema a dizer que está tudo resolvido”. Rui Castelhano quer uma garantia escrita. “Se até dia 28 a Junta não receber esse comprovativo, informaremos os comerciantes para estarem presentes na reunião de Câmara”, reforçou.

Entretanto, a comissão de moradores de Agualva já criticou esta mudança para o centro da cidade. “É absurdo. Vai prejudicar o trânsito, o estacionamento e a segurança, devido às desordens entre feirantes ciganos”, alega.

in http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/Interior.aspx?content_id=1212741&seccao=Sul

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